Quote notável #3

“[…] as coisas inúteis também não tem um lugar neste mundo longe de ser perfeito? Retire tudo que é fútil de uma vida imperfeita e ela perderá, até mesmo, sua imperfeição.”
— Haruki Murakami em “Minha querida Sputnik”.

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Apartamento

Nosso apartamento desproporcional ao tamanho das nossas aspirações e na quantia exata para que cada olhar não caia no vácuo e sim no par brilhante a sua frente, vai ser a coisa mais bonita do mundo.
Na sala, um sofá não muito grande, porém confortável para abrigar amigos descamisados embriagados e uma poltrona eternamente disputada em batalhas de resultado previsível em que terminamos aninhados no colo do outro. Por todo lado livros rebeldes que insistem em fugir das estantes para o toque constante de amantes de boas releituras.
Um quarto com cama gostosa, palco de peripécias testemunhadas pelos criados-ainda-bem-que-mudos junto à cabeceira.
Da janela mais ampla se estende a vista perfeita adornada por bailarinas vermelhas dos flamboyants majestosos do parque vizinho.
Esse cantinho do mundo vai ser sempre regado por boa música tocando alto aos fins de semana e baixinho para acompanhar nossos passos amadores em datas especiais.
A cozinha vai ser do seu número exato para que eu tenha desculpa em me manter afastada e a área de serviço repleta de vasos de flores coloridas que disputam espaço com as roupas estendidas como se aquilo fosse uma estufa só delas. Um perfume que fixado na malha faz inveja a habilidosas donas de casa que se perguntam qual o nome daquele amaciante.
Não vamos ligar a televisão, mas nunca esqueceremos de pagar a internet. Em dias quentes dormiremos na sacada só com roupa íntima. Faremos festas lotadas e daremos mil explicações para o senhor guarda que for acionado pela queixa de um vizinho rabugento que ficará com saudades da época em que éramos só dois quando formos três, quatro e cinco.

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Lembranças

Estava arrumando as caixas da mudança e me deparei com uma cheia de lembranças suas. Na verdade, a princípio, me enervou ver aquela chuva de coisas caindo pelo fundo falso da caixa e me atrasando na arrumação – o caminhão chegaria às dez e eu havia acordado às nove – que não estava rendendo muito.
Enquanto juntava aleatoriamente pilhas de fotos, cartas, papéis que se tivessem sido descobertos pelas formigas teriam virado pó, porque ainda tinham o cheiro de trufas com recheio de morango (suas favoritas), notei uma fotografia em específico que me chamou a atenção. À primeira vista não dava pra reconhecer o que era, falando sinceramente, achei que era uma dessas disparadas sem querer e que mandamos revelar por puro relapso. Meu deus, era um triângulo branco com algo redondo e preto na parte inferior, eu não entendia! Mas no verso estava escrito “Bunda gostosa numa prancha linda de morrer – G.”
“Porra!” Sussurrei para as paredes, minha única companhia no momento.
É claro que eu lembrava daquela foto! Eu queria tirar a foto d’uma frase numa long board daquele australiano, filho de brasileiros, que se perdeu na cidade e pediu indicações num português sofrível sobre onde ficava a pousada que ele procurava. Acaba que o cara era gente boa e, como sabíamos inglês de tanta conversação pra excluir nossos amigos não-bilíngues, ofereceu nos dar algumas aulas de surfe como agradecimento. Um dia antes da partida dele, nossa última aula consistente em vários caldos, tiramos umas 60 fotos (naquela época ainda vendiam filmes com 15, 20 e 60 poses, Jesus!) e a que eu tinha agora nas mãos era da prancha do australiano, ou melhor, da sua bunda na prancha dele.
“Levanta daí e deixa eu bater a foto!” Pedi manhoso.
“Vai se FODER!” Você gritou e saiu rindo.
Numa outra foto dava pra saber o que era a frase.
“A única coisa que dura para sempre é o passado.”

Quote notável #2

“— O senhor está trinta minutos atrasado.
— Sim.
— O senhor chegaria trinta minutos atrasado a um casamento ou a um funeral?
— Não.
— Por que não? Tenha a bondade de nos dizer.
— Bem, se fosse o meu funeral, certamente eu chegaria no horário. Se fosse o meu casamento, seria o meu funeral.”

(BUKOWSKI, Charles. Misto quente.)

Missão: Princesa

O mundo da ficção fantástica é dado a transformar situações que seriam de puro deleite em verdadeiras batalhas – ou guerras – para os personagens que precisam sobreviver a elas e até espelhar certa graciosidade e leveza durante isso. Muito frequente é o caso de meninas que descobrem ser princesas da noite para o dia. Da rotina comum de escola, amigos (ou não), vida social e da estranheza que permeia os anos pré-juventude, muitos autores desenvolvem histórias divertidíssimas para nossa alegria! Vamos a um top 3 destas mocinhas adoráveis:

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Amelia Mignonette Grimaldi Thermopolis Renaldo
Mia
O diário da princesa – Meg Cabot 

Talvez a mais famosa da nossa lista, haja em vista que já ganhou uma dramatização assinada pela Disney e tudo o mais. Não sei a opinião da Meg, mas eu odiei isso. A versão romantizada distanciou um tanto do que era a vida verdadeira da Mia. Ela repudiava a coroa com todas as suas forças e foram necessárias muitas horas de “Lição de Princesa” com sua avó e até terapia para entender quem era e como deveria lidar com o encargo que tinha em mãos.
Dramática até os ossos e muito semelhante a qualquer garota da sua idade (e até mais velhas), ela inspira a simpatia de quem lê suas aventuras. Não enfrenta monstros sobrenaturais ou guerras de poder, mas precisa lidar com algo igualmente complicado: a escala social da escola onde estuda e as relações diplomáticas entre Genovia e os outros países.

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Jessica Packwood / Antanasia Dragomir Vladescu
Jess / Antanasia
Como se livrar de um vampiro apaixonado – Beth Fantaskey
 
Outra nascida nobre de berço, Jess foi entregue a pais adotivos e até bem pouco antes do seu décimo oitavo aniversário, não fazia ideia de que, se bem entendesse, poderia governar um grupo de vampiros psicopatas malévolos na Romênia e se casar com o líder do grupo que rivaliza há séculos com sua família, Lucius Vladescu, a quem – aliás – foi prometida em casamento. Muita informação pra uma adolescente que ainda nem deu o primeiro beijo, sem dúvidas. Assim, entre lidar com as transformações que seu corpo começa a sofrer (como a sede por sangue, a liberação das presas), um noivo vampiro muito insistente e convidar o garoto da escola pro baile, ela tenta ser o mais normal possível.
Resenhei sobre a saga aqui: https://ismaliaealua.wordpress.com/2014/11/15/resenhei-como-se-livrar-de-um-vampiro-apaixonado-beth-fantaskey/
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America Singer 
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A seleção – Kiera Cass

A única destas três que não era princesa desde o nascimento, mas tal como as outras, já detinha a majestade.
Participando de um reality show nacional que escolherá a próxima princesa que se casará com o (gostoso do) Príncipe Maxon, ela vive num mundo distópico em que as pessoas são divididas por classes (ok, se você for à Índia hoje a coisa não é tão impossível de imaginar) e precisa enfrentar o preconceito oriundo deste fato para conquistar o posto. Ao longo da história, percebemos contudo, que a seleção vai muito além de uma competição, afinal, apesar de “combinado”, este casamento precisa envolver sentimento real e a garota que celebrar tal aliança com Maxon precisará ajudá-lo a passar pela guerra civil que assola o país.

E a gente pensando que ser princesa é só esperar cochilando até a chegada do príncipe! Recomendo as 3 sagas ❤