Resenhei: Feios – Scott Westerfeld

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Aviso: esta resenha inevitavelmente contém spoilers.

Feios

Imagine que o sonho de toda adolescente da cultura plástica se tornou realidade e, num mundo distópico (ou num cenário pós-apocalíptico, se quiser ser das antigas), todos ganham uma transformação de visual aos 16 anos. Não estou falando só de um guarda-roupa novo, note. Basicamente, é disto que se trata o livro na primeira parte.
Tally Youngblood fica 24/7 observando “Nova Perfeição”, o lado da cidade onde os “perfeitos” (como as pessoas são chamadas depois da operação) vivem. Sendo ela uma “feia” (pessoas antes da operação), ao completar 16 anos, será agraciada com a sonhada operação e reencontrará seus amigos mais velhos e será borbulhantemente* feliz para sempre. Só que não.
Alguns meses antes do seu sonho se tornar realidade, Tally faz amizade com uma guria muito loucona das ideias chamada Shay (Shay-la para os íntimos, por favor!). Shay gosta de ser feia. Shay acredita que os feios possuem uma beleza especial à sua própria maneira. Shay não quer fazer a operação, não quer mudar de onde vive. Shay não quer ser perfeita.
Shay quer fugir.
E levar Tally junto.
E, aí, meu amigo: fodeu tudo!
Assim, começa a aventura de verdade: acontece que esse pensamento da menina rebelde não é muito popular, mas encontra adeptos chamados “Enfumaçados”, um grupo de resistência ao poder dominante que, vivendo no meio da selva, usando meios sustentáveis de sobrevivência e quase sem nenhuma tecnologia, gosta da sua vida não-perfeita.

Parênteses: preciso explicitar o quanto essa analogia toda me arrepia os pelinhos da nuca? Cara, não conheço esse Sr. Scott, mas se um dia pudesse ter a honra pra tanto, apertaria a mão do sujeito. A “normalidade” tem o seu próprio encanto e é esta a crítica principal que o livro traz de forma patente.

feios scott westerfeld
Enfim, a Shay se vai e, pensando ter uma informante na Tally – que ficou pra trás -, um grupo de agentes secretos governamentais a faz de espiã e promete por recompensa a transformação desejada se se infiltrar e denunciar onde fica a sede da Fumaça.
A jornada é longa e difícil, mas Tally parece perfeita para a missão (oh, a ironia). A garota-feia-triste encontra outros feios-felizes e descobre que a vida é muito mais borbulhante se você – olha só – não for tão borbulhante.
Sendo borbulhante na própria pele não-perfeita, ela se apaixona, faz amigos e uma descoberta surpreendente sobre a operação: os cérebros das pessoas são modificados. Uma coisa é ganhar um rostinho bonito, outra é ter seus pensamentos e desejos manipulados sob a desculpa furada de que todos sendo tão “avoados” e “iguais”, não há injustiça e guerras no mundo, por conta da ausência literal de diferenças. Desiste de trair a galera, então. Pobre menina feia que só queria uma vida tranquila!
Ocorre que os Especiais (os malvadões) descobrem a localização do bando e põem tudo a perder. Destroem a Fumaça, matam um de seus fundadores, prendem o pessoal e arrasam com o trabalho de anos de oposição.
Tally foge se aproveitando do velho acordo com os Especiais e junto de David (sua nova paixonite e filho dos fundadores do grupo rebelde) salva a galera. O problema é que sua amiga Shay foi transformada em perfeita e se recusa a tomar a cura, então Tally voluntariamente se oferece pra se tornar uma tolinha perfeita pra que mediante uma autorização consciente, a cura seja testada e aplicada no resto da… bem, população mundial de perfeitos.

Vi vários comentários, especialmente no Skoob, descendo a lenha neste volume, coisa da qual discordo. Achei bem desenvolvida a história, apesar e perder um tempo desnecessário repetindo certas partes como se fossem um mantra. De resto, uma boa distopia pra passar o tempo.

Nota: 9/10

Link da sinopse do Skoob: http://www.skoob.com.br/livro/58806-feios

Perfeitos

prettiesUK2012

Na sequência, após o corajoso e altruísta gesto, Tally é uma perfeita como todos os perfeitos: borbulhante, nada falsa e aterradoramente VAZIA! Sua maior preocupação, como a mesma confessa na primeira página, é escolher uma roupa para um evento semi formal. Vomitou? Eu estou nauseada até agora (socorro!).
Com as memórias do tempo vivido na Fumaça meio embaralhadas, ela tem novos amigos e é super, super popular. Uma visita de um feio a faz começar a lembrar e questionar a vida oca que leva. Assim, Tally e sua nova paixonite (Zane-la, gatchenho meigo) buscam uma forma de fugir da cidade e pegar a cura com a Dra. Maddy na “Nova Fumaça” até serem capturados.
Achei meio paradão, sério. Não gostei do Zane ter tomado o lugar do David, apesar de gostar muito daquele (ele tem força de vontade e uma sagacidade nata).
Frase mais marcante: “O céu estava caindo.” (Uma alusão à ruptura do ranking de gelo que foi destruído numa brincadeira tipicamente feia, porém com consequências fundamentais para chamar a atenção dos novos enfumaçados e do mundo que perfeitos podem pensar fora da sua bolha de perfeição, basta querer (e a cura). “O poder dominante estava caindo.”)

Nota: 8/10

Link da sinopse do Skoob: http://www.skoob.com.br/livro/101622ED112593-perfeitos

Especiais

Specials - Scott Westerfeld

Sinopse do Skoob (porque não me dei ao trabalho de digitar palavras para este encerramento vexaminoso)

Circunstâncias especiais. As palavras dão arrepios a Tally desde seus dias como uma repugnante e revoltada Feia. Naquela época, especiais eram um boato sinistro – assustadoramente bonitos, perigosamente fortes, chocantemente rápidos. Perfeitos comuns podem viver uma vida inteira sem conhecer um especial. Mas Tally nunca foi comum. E agora ela se tornou um deles: uma super máquina de combate, construída para manter os feios humilhados e os perfeitos idiotas. A força, a velocidade, e a clareza e foco de seus pensamentos é a melhor coisa que Tally consegue lembrar. Na maior parte do tempo. Uma pequena parte do seu coração ainda se lembra de algo mais. Mesmo assim, é fácil ignorar isso – até Tally oferecer-se a acabar permanentemente com os rebeldes de New Smoke. Tudo se resume a uma escolha: escutar seu coração ou realizar a missão para que foi programada. De qualquer jeito, o mundo de Tally nunca mais será o mesmo.

Link: http://www.skoob.com.br/livro/101625ED112592-especiais

O Zane virou poeira, o David mal aparece, a Tally é uma subordinada/manipulada/blergh. Meu livro veio faltando parte, só pode: não encontrei em lugar nenhum a razão da Tally-wa ter virado especial (só uma culpa latente por parte da Shay). Para estragar o sundae: no fim, Tally e David se tornam uma espécie de Greenpeace armado e violento.
Só li por querer muito saber o final, mas em várias partes quase desisti. Simplesmente não valeu meu tempo.

Nota: 1/10 (sou contra dar nota zero para qualquer livro publicado)

Obs.: essa gíria “borbulhante” me deu no saco em determinada parte da série. Tô saturada.

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