Quote notável #9

“A Lua é uma companheira correta.
Ela nunca se vai. Está sempre lá, observando, constante, reconhecendo-nos em nossos momentos de luz e escuridão, em constante transformação, assim como nós. Todos os dias uma versão diferente dela mesma. Às vezes fraca e lívida, noutras forte e cheia de luz. A Lua compreende o significado de ser humano.
Inconstante. Solitária. Esburacada de imperfeições.”
—  (T. Mafi em Estilhaça-me)

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Poesia: Palavras – Sylvia Plath

Golpes
De machado na madeira,
E os ecos!
Ecos que partem
A galope.

A seiva
Jorra como pranto, como
Água lutando
Para repor seu espelho
Sobre a rocha

Que cai e rola,
Crânio branco
Comido pelas ervas.
Anos depois, na estrada,
Encontro

Essas palavras secas e sem rédeas,
Bater de cascos incansável.
Enquanto do fundo do poço, estrelas fixas
Decidem uma vida.

(tradução de Ana Cristina César)

Daqui (da minha caixinha)

Dentro da minha caixinha fica fácil perder a noção dos limites, especialmente quando estes já eram confusos. Só sei que a dantes lustrosa envergadura, aqui, de nada serve. Nem levanto e nem deito, não caibo e nem assim, me apetece os sentidos ver os recortes de luz pela fresta da porta de contato com o mundo exterior.
Acontece que daqui de dentro fica mais simples perceber quem são os atores, suas linhas e quais as marcações. Um passo afora do meu cantinho, desrregulo toda, esqueço as deixas e me deixo encurvar pelas arestas de uma gaiola invisível que impede de estender as asas e mostrar a todos que posso voar.
Aqui, presa, sou livre. Lá, solta, desprendida, desapegada e desentrelaçada, estou meramente só.
É como ter todo o tesouro do mundo nas mãos e não saber o que fazer. A propósito, danem-se as piastras e os vidrilhos tão valorizados entre os homens, eu só quero apreciar a repetição das ondas e dos dias.
Eu quero liberdade dos grilhões malditos da minha suposta liberdade. Nem que seja aqui dentro da minha caixinha e sem poder voar.