Daqui (da minha caixinha)

Dentro da minha caixinha fica fácil perder a noção dos limites, especialmente quando estes já eram confusos. Só sei que a dantes lustrosa envergadura, aqui, de nada serve. Nem levanto e nem deito, não caibo e nem assim, me apetece os sentidos ver os recortes de luz pela fresta da porta de contato com o mundo exterior.
Acontece que daqui de dentro fica mais simples perceber quem são os atores, suas linhas e quais as marcações. Um passo afora do meu cantinho, desrregulo toda, esqueço as deixas e me deixo encurvar pelas arestas de uma gaiola invisível que impede de estender as asas e mostrar a todos que posso voar.
Aqui, presa, sou livre. Lá, solta, desprendida, desapegada e desentrelaçada, estou meramente só.
É como ter todo o tesouro do mundo nas mãos e não saber o que fazer. A propósito, danem-se as piastras e os vidrilhos tão valorizados entre os homens, eu só quero apreciar a repetição das ondas e dos dias.
Eu quero liberdade dos grilhões malditos da minha suposta liberdade. Nem que seja aqui dentro da minha caixinha e sem poder voar.

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