Desafio de escrita criativa: contendo a frase “o sorriso dela não era real”

Achei um desafio de escrita criativa por aí e resolvi tentar. São cerca de 30 metas e aqui vai o resultado da primeira em forma de drabble.

Da Wiki: um drabble é uma obra de ficção extremamente curta com exatamente cem palavras de comprimento, não necessariamente incluindo o título. O objetivo do drabble é a brevidade, testando a capacidade do autor em expressar ideias interessantes e significativas em um espaço extremamente restrito.

Aviso legal: A construção a seguir é de minha propriedade intelectual, sendo vedada a utilização por outros autores sem minha prévia autorização.

O SORRISO DELA NÃO ERA REAL

Lembro de vê-la nas aulas de Artes e quando se destacou na aula de História Geral, mas nada disso é novidade, afinal, todos sabem que de qualquer ponto os olhos dela parecem te seguir, te desvendar. Sua presença supera expectativas.
A propósito, não falo da Monalisa, e sim da Gio, a garota que senta duas cadeiras à frente de onde me prosto todos os dias tentando (sem querer) absorver a abstrata informação educacional padronizada.
Não criaram palavras para definir o esplendor da sua beleza. E só Deus e Leonardo me entenderiam quando digo que o sorriso dela não era real.

Poesia: Todas as cartas de amor… – Álvaro de Campos (F.P.)

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

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