Uma lição de vida

“Para os inimigos a lei, para os amigos a justiça.” é algo que escuto do meu pai desde a tenra infância. Ontem provei um gole violento em forma de exemplo prático.
Em um assentamento perto da localidade em que vivo uma escola municipal funcionava com parcos recursos e contava com apenas uma brava mulher para executar as funções de professora, diretora, moça da cantina – e o que mais fosse preciso -, além de 11 pequenos alunos que deveriam ocupar diferentes salas de aula, mas felizes partilhavam lições em grupo. (Saliento que em alguns lugares do mundo, à exceção do angu na merenda, consideram o atendimento multidisciplinar e sem segregar crianças por idade acima de rendimento um luxo.)
Pois bem, lá foi o jornal local indagar respostas do porcamente articulado Sr. Secretário a razão de tanta dificuldade para obter educação.
Para esta dúvida razoável muitos “eh” e “ih” foram aglomerados e divulgados entre as novelas semanais.
A solução veio ontem e a manchete por si já criava receio: mandaram a valente professora embora e fecharam a escola.
Os meninos vão ganhar condução para comparecer a uma escola mais longe de casa e onde podem nem se adaptar, contudo, ainda gozarão do ensino obrigatório e respaldado pelas determinações das leis pátrias.
Os alunos que atendem à creche, por sua vez, ficarão em casa, vez que o Sr. Secretário enunciou que o Município só possui obrigação legal para com eles a partir de 2016.
Felizmente o desemprego tem aumentado e, pelo menos um dos pais, quando não a tia, avó, madrinha, primos, enfim, a família toda ficará de guarda dos pimpolhos. À mercê, de sabe-se lá o que ficariam, caso tudo não estivesse a “passos de formiga e sem vontade” no país.
Resumo da saga: gosto de angu, abomino quem se esconde atrás de normas para vestir uma máscara de salvador.
Ah, e a professora está desempregada.

Quote notável #13

Minhas palavras não seriam tão dignas, então cito R. Barbosa:

“A regra da igualdade não consiste senão em quinhoar desigualmente aos desiguais, na medida em que se desigualam. Nesta desigualdade social, proporcionada à desigualdade natural, é que se acha a verdadeira lei da igualdade. O mais são desvarios da inveja, do orgulho, ou da loucura. Tratar com desigualdade a iguais, ou a desiguais com igualdade, seria desigualdade flagrante, e não igualdade real. Os apetites humanos conceberam inverter a norma universal da criação, pretendendo, não dar a cada um, na razão do que vale (JUSTIÇA; RESPEITO AO DIREITO NATURAL), mas atribuir o mesmo a todos, como se todos se equivalessem (INJUSTIÇA).”

Lidos – JUL/15

Julho chegou sem grandes estreias, se foi sem deixar muita saudade. Não falo do mundo, já que tenho levanulldo uma rotina de eremita, mas dos livros que li.
Foi um mês pouco produtivo em que conheci duas mocinhas que não superaram com a dignidade que eu esperava o fim do seu relacionamento, quais sejam: Por isso a gente acabouO histórico infame de Frankie Landau-Banks. Por outro lado, vi cenas idênticas em livros distintos – e é isso que me faz evitar o gênero “pornô literário para mulheres” -, então sejam expostos seus títulos: O Príncipe dos Canalhas (volume I) e Proposta inconveniente.
Ok, admito que o livro da Meg quase me fisgou, porém o clichê nos pôs em lados opostos da sala. Ultimamente esta mulher tem feito muito disso. Desde Insaciável me decepciono e fico saudosa dos tempos da Mia ou da Heather.
(Acho que literatura infanto-juvenil é mais simples de escrever.)

Poesia: Adeus, meus sonhos! – Álvares de Azevedo

Adeus, meus sonhos, eu pranteio e morro!
Não levo da existência uma saudade!
E tanta vida que meu peito enchia
Morreu na minha triste mocidade!

Misérrimo! votei meus pobres dias
À sina doida de um amor sem fruto…
E minh’alma na treva agora dorme
Como um olhar que a morte envolve em luto.

Que me resta, meu Deus?!… morra comigo
A estrela de meus cândidos amores,
Já que não levo no meu peito morto
Um punhado sequer de murchas flores!