Y.A. love

Os últimos cinco anos vêm representando em hashtag e caixa alta nos TT’s a revitalização das lutas pelas liberdades individuais mais primárias. O ímpeto em tornar tudo equidistante e igualitário é tão grande que, talvez, um remake de “A turma do Scooby-Doo” tivesse cerca de quinze integrantes além dos cinco originais como forma de ilustrar a diversidade em estilos, gêneros, credos, culturas, lado A x lado B do papel higiênico e o que mais tiver pro dia. Evidente que a tendência alcançou o mundo literário young adult que vem ganhando majoritário destaque.
Para jovens que não se contentam com o ideal Disney de clichê romântico, os autores começaram a criar protagonistas com T.O.C., bipolaridade, depressão, vítimas de bullying, portadores de necessidades especiais e os mais diversos casos de sexualidade para tentar agradar ao público. Não poupam ninguém: a garota latina filha de mãe solteira, o capitão do time de futebol, o garoto que decora frases de gente famosa morta, enfim, é quase uma Assembleia Geral da ONU em multiplicidade de personas.
Você não vai encontrar um príncipe ou herói que não seja, pelo menos, sarcástico ou excêntrico.
Eu diria que é tocante se não fosse tão aviltante. Explico: apesar da intenção em explanar as diferenças e mostrar que o amor chega para todos como em “para todo pé torto existe um sapato”, não deixam de evidenciar que para caber num “pé torto” o sapato vai precisar ser “torto” também. E é isso que me irrita.
Alguém com vida complicada vai ficar com quem experiencia alguma tragédia em todo santo caso.
Criaram um novo clichê em que os iguais se atraem. Você não encontra nem em Nicholas Sparks a garota-feliz-inteligente-bonita que se apaixona por um cara comum. Mas se puser um conflito religioso ou tendência pra poesia performática, o Google te traz 8154295252926 resultados em 0,83 segundo.
Vivenciamos um excesso de aceitação em que querem mostrar tantas exceções convivendo simultaneamente que a Fera não é a única quimera dando as caras por aí.
Não digo que prefiro o preconceito (a.k.a. qualquer forma de discriminação) velado a isso, mas devemos admitir que pesam a mão. Como se não bastasse que a Barbie fosse princesa, agora também é heroína no mesmo enredo.
Ou talvez só queiram reforçar que, de perto, todos temos algo de diferente, sei lá.

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