“Dê a sua opinião”

Quando estava na escola e fazia provas com quesitos que pediam minha opinião me irritava muito.
Todo mundo já passou por isto e bem sabe que o argumento que o professor quer ver ali é o que ele explicou em sala de aula. Me desculpe, mas parece quase conversa de doido uma pessoa perguntar qual a própria opinião. Ok, ok, geralmente eram pontos de consenso geral para a humanidade e eu meio que concordava intimamente com boa parte daquilo até adquirir uma percepção própria, isto é, até criar as minhas opiniões enquanto ser supostamente racional. Assim foi que quando cheguei na faculdade esbanjei o verbo e procurava mil e uma formas de expor meus pensamentos. Sempre com base sólida, contudo, não necessariamente como membro vendado e manipulado pelas ditas correntes majoritárias.
Admito que minha vaidade encontra um prazer peculiar em “ser do contra, mas com toda a razão”.
Aí, quando tudo ia às mil maravilhas, encontro o vilão da minha pequena saga na forma de professor de Direito Econômico que tinha, originalmente, formação em Engenharia Civil e, com intuito de ganhar dinheiro fez concurso público e acabou fundando um destes conhecidos cursinhos preparatórios milionários. Basicamente, o Direito na visão dele era uma forma de avolumar a conta bancária. E só. O homem tinha umas opiniões esquisitíssimas. E, ainda que não fosse Monitora de Direitos Humanos (coisa que eu era), ouvir aquilo quieta não era apenas perda de tempo, mas uma comprovação da minha própria falta de senso, pois as ideias dele iam contra o fundamento dos Direitos Humanos e até da Constituição Federal, inclusive. Tínhamos discussões dignas de versos da Ilíada; a antipatia era recíproca.
Certo dia numa prova dele me deparei com uma questão daquelas de “Dê a sua opinião sobre […]” e borbulhei de ira. Evidente que respondi o que ele queria ver escrito, mas fiz questão de abrir um parágrafo para expor a minha opinião (que tinha forte apoio na doutrina). Ao entregar as provas, ele disse algo como “Você é mesmo teimosa, hein!” apesar de ter pontuado com valor máximo a minha resposta.
Para ser justa, falei de volta “E o senhor também.”
Rousseau já dizia que devemos respeitar a opinião do coleguinha, gente. (Mesmo sendo um parvo.)

Agora, se você leu até aqui, por favor, dê a sua opinião.

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2 comentários sobre ““Dê a sua opinião”

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