Interpretação

A despeito do que possa parecer, quando era criança eu não gostava das aulas de Língua Portuguesa ou qualquer atividade envolvendo interpretação de texto.

Era uma tarefa inútil ler os textos. Eu já sabia que não iria tirar nada maior que 8/10 na avaliação final. Isto era aterrador.

Ainda hoje não sei o que provocava aquilo, já que na hora que a professora entregava a chave de respostas eu percebia claramente que tinha errado feio e sem chance de recorrer. Eu entendia e concordava que o gabarito tinha as respostas certas, porém quando o cenário era composto só por mim e a bendita da folha em branco, eu escrevia sempre algo diferente da maioria.

A solução para o meu problema foi simples: estudar. Meus pais sempre foram muito preocupados com a minha educação e não mediam esforços neste sentido. Livros de apoio, aulas particulares, enfim, treinei meu cérebro a pensar de acordo com o senso comum. Consegui, inclusive, notas acima do famigerado 8.

Hoje, penso que talvez tenha treinado bem demais a cabeça para pensar da forma padrão. Fiz aniversários, mas acho que esqueci de crescer. Continuo ouvindo outras tantas vozes diferentes do que o senso comum insiste em apreender de cada palavra escrita que fico com uma sensação inexplicável de inconformidade.

Eu vesti o espartilho. Respeito e admiro as formas que ele proporciona. Contudo, acho que sempre vou preferir uma camiseta levinha e sem nada por baixo.

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