Sonhos, metas e ilusões

Em fóruns pela internet (o que resume com precisão a minha interação social fora a vivência familiar e profissional) sempre vejo as pessoas discutindo sobre as diferentes formas de interpretar as palavras que vão no título. Basicamente, dá para dizer que planos definidos com prazo e método são chamados de metas; tire um destes fatores e terá um sonho, ou seja, uma vontade, uma inspiração que não se sabe/não aventou ainda como realizar. Por fim, as ilusões seriam uma fantasia consciente, isto é, a pessoa sabe que não vai jamais realizar aquele sonho porque não pretende transformá-lo em meta.
Isto estabelecido, posso afirmar que tenho me iludido sem medo há algum tempo. Não sem arrependimento, mas sem qualquer receio. Cheguei em um ponto que não faço muita questão em discutir ideais e ideologias, coisa que já foi minha paixão. Pelo contrário, ando meio arredia em pensar muito tempo à frente no futuro. Simplesmente se apodera da minha mente um branco total e pacífico. Não tenho pretensão de carreira, satisfação pessoal ou financeira. Na verdade, em muitos momentos me passa pela mente que ser poupada da sobrevivência aos anos vindouros seria uma espécie de lucro mais palpável que imaginar passar por seja lá o que vier.
E a maioria das pessoas tem sonhos, estipula metas e repudia ilusões. Eu que já não sou muito fã de pessoas me pego gostando menos delas (até de você, leitor). Fico muito tempo calada, distante. Se eu fosse um estado na previsão do tempo a garota bonita de terninho diria que “há possibilidade de períodos soturnos sem chance de aumento de temperatura até o fim da semana”. Sendo sincera, a verdade é que é até o fim dos tempos. E NÃO FAÇO GOSTO EM MUDAR ISTO. Gosto de viver aqui lendo meus livros de ficção, trabalhando com algo que não fui talhada para e me resignando a não encontrar aquela vontade de viver que parece inspirar tanta gente.
Fecho os olhos para iscas lançadas ao acaso. Não quero discutir, sentir, mudar. Não está nada bom, mas quero ficar. Não notem meu humor, minhas roupas ou minha péssima companhia. Sigam. Vão embora. Xô.
A ilusão da solidão me alimenta. O silêncio me completa.
Covarde, tola, fútil, qualquer que seja o nome pode jogar na minha cara que não ligo. Não pedi para estar aqui, afinal.

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