(O estigma da) Felicidade

O ideal incutido desde tenra idade sobre viver o cenário de comercial de margarina; os inúmeros benefícios que só a derrota traz; enfim, a busca incessante e supostamente gloriosa da felicidade. É isso que a sociedade nos impõe. Este é o estigma da “ditadura da felicidade”.
Se fico no canto: sou antissocial.
Se não respondo “bom dia”: sou desagradável.
Se não fico na cidade para as festividades: sou uma solitária miserável.
Eu tenho direito às lágrimas (se sentir que são necessárias), eu tenho direito a fazer bom proveito da minha vitória sem sentir culpa, eu posso só passar pela vida sem grandes transtornos. Eu tenho direito a deixar minha alegria íntima onde ela nasceu e se criou por esforço próprio.
Nem todo mundo precisa ostentar um sorriso débil nos lábios para estar bem consigo mesmo, aliás, duvido que alguém que não tenha o narcisismo à flor da pele credite alguma justiça a esta falsa encenação que nos obrigam a aceitar e viver.
A vida não é um conto de fadas e eu não sou obrigada a “viver feliz para sempre”.
Não conheço grandes ou pequenas coisas que me deixem feliz. Felicidade é algo que não existe no meu vocabulário.
Ok, vez ou outra você pode me flagrar usando o termo, mas é pura falha técnica. Não creio que a felicidade real seja mais do que uma utopia.
Me repriso: explico. Se condiciono a minha felicidade ao estado de uma ou outras pessoas estarei em total descontrole de mim mesma. Jamais seria serena ou estável e isso me parece avesso ao conceito principal.
Por outro lado, se considero apenas o meu próprio estado pra dizer se sou ou não feliz, sem me importar com o que me cerca, isso faz de mim: (a) uma tola cega ou (b) uma vaca egoísta que só se importa com o próprio umbigo e esquece que o mundo é habitado por tanta miséria e desolação.
Assim, não há um conceito concreto com o qual eu consiga lidar sobre a felicidade, que passa a ser, então, mera palavra no dicionário e, sendo realista, de uma história de conto-de-fadas.
“Felicidade é o Papai Noel dos adultos.”
Entretanto, a tristeza, a infelicidade são visíveis com singular destaque, pois é justamente o fato de se condicionarem a outros ou à própria pessoa que as cria em primeiro lugar. Deste modo, creio e sinto a gêmea antônima: a alegria. A alegria é efêmera, mas satisfatória. Alegria é a punheta da sociedade contemporânea.
Vemos filmes, lemos livros, comentamos as notícias no jornal, trocamos beijos e carícias, passamos feriados com quem temos laços de sangue e/ou convivência e isso nos faz alegres em maior ou menor monta conforme a ocasião.
Dane-se o estigma da felicidade.
Pra terminar: “Quando você ficar triste/Que seja por um dia, e não o ano inteiro/E que você descubra que rir é bom,/mas que rir de tudo é desespero”.

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Um Conselho

Aconselho que experimentem ler pra descobrir o que é ser infinito ao lado de seus amigos e o valor do infinito ao lado de um amor puro. Pra que vejam que demônios renegados podem ser gente boa e anjos caídos são lindos. Experimentem ler pra reconhecer que de cada 5, 4 histórias colocam vampiros e lobisomens como inimigos e que os amigos fictícios têm sempre as mesmas novidades e nunca se tornam cansativos. Experimentem ler Senhora pra ver que mulher sabe ser vingativa, Diva pra ver uma caprichosa e A mulher só, pra ver que algumas querem ser vistas além da beleza.
Leiam pra ver que Douglas Adams e Lisa Jane Smith escreveram histórias com um grau de imaginação e criatividade raros. Leiam pra ralhar com quem vira fã por causa de filme e aprender palavras como “ralhar”. Leiam pra assistir a orgulhosa e petulante Elizabeth se apaixonar pelo preconceituoso Mr. Darcy e o oposto também! Leiam pra conhecer a exploração de diamantes, lutas milenares e que histórias infantis deveriam ser lidas por gente de qualquer idade.
Ler relaxa. Ler estimula. Experimentem ler.

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Carência afetiva

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Pela minha diminuta e indesejada – porém inevitável – experiência com comércio, contato com cliente e relações em geral, é possível afirmar numa análise sumária que a carência afetiva humana está atingindo graus altíssimos. Liguem pro Richter e peçam uma atualização urgente!
Posso ilustrar a conclusão com dois exemplos (numa loja de roupas, por serem mais próximos do meu cotidiano) bem comuns:

Caso 1. A pessoa chega desacompanhada na loja, e:

– Você não tem meu número desta saia?
– Qual o seu tamanho? – a vendedora pergunta.
– Não sei…
– Experimenta estes dois e vê qual fica melhor! – a vendedora diz encaminhando a cliente (porque homens raramente provam roupas e/ou pedem satisfação/opinião sobre suas vestes) ao provador.
– O que você acha? – pergunta a cliente sem senso de autocrítica.

Evidente que a vendedora, especialmente se comissionada, irá responder conforme a renda mensal lhe aprouver. Algumas ainda, podem mal se importar com tal fato e vão lançar um olhar de desdém e responder um “ficou ótimo em você” de forma ridiculamente robotizada do gênero “ninguém tá me pagando pra paparicar estranhos”.
Contudo e sobretudo por conta dessas duas razões a pessoa (cliente) insiste em perguntar, em exigir atenção, por saber que dificilmente ficará sem uma resposta delicada e comedida. Em casa podem falar que ela está gorda, precisa de um transplante de senso de moda ou falar com as paredes, mas na loja ELA SABE QUE SERÁ BEM TRATADA.

Caso 2. A pessoa chega descompanhada na loja (sim, em grupos é mais raro a manifestação explícita da carência afetiva), e:

Após desdenhar de praticamente toda a mercadoria, diz que vai voltar em breve com fim de saber se chegou alguma novidade.

Veja bem, ela pode nem ter observado minunciosamente os produtos (e em geral é bem assim), mas promete (e a vendedora já fica com os cabelinhos da nuca eretos) retornar com o fim de receber a sua atenção e simpatia.
Cá entre nós, é uma cortesia paga, ninguém gosta de sorrir de canto a canto enquanto o outro fala “não gosto disso”, “isso não faz o meu estilo”, “pena que tenho um igual”, “já usei muito” e afins. Na verdade, a vendedora que também tem seus próprios problemas com que lidar não está de fato interessada em saber tanto assim a opinião da cliente – ela só é paga para trabalhar ali. (Em comparação, pelo menos no primeiro caso compensou dispender tanto tempo, já que a cliente levou alguma coisa – ou não.)
Pelo ponto de vista da pessoa com síndrome aguda de carência afetiva isso bastará.

A análise mais pormenorizada leva a crer, segundo fontes confiáveis, que o karma é uma bitch que se vinga com graciosidade e sem qualquer sutileza, levando suas vítimas infelizes à insanidade irreversível.


P.S.: vendedores dos quatro cantos do planeta agradecem – de coração – se você não for um chato com este tipo de patologia.

Você sabe que é viciado em livros/ler quando…

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1 – Você sempre se encontra soltando nomes de personagens/trechos de livros em conversas.
2 – Você dispensa compromissos sociais para ficar em casa lendo.
3 – Quando está lendo um bom livro esquece de comer ou dormir.
4 – Você não vê o tempo passar quando entra numa livraria/biblioteca.
5 – Você vai parar de ler “depois do próximo capítulo” (e continua lendo… lendo… lendo…).
6 – Você ri/chora/comenta em voz alta os trechos do livro que está lendo.
7 – Qualquer ambiente é uma excelente sala de leitura: sua cama, o sofá da sala, o banheiro, o ônibus lotado, a sala de espera do dentista, etc.
8 – Criticar um livro/autor/personagem é o mesmo que te criticar pessoalmente.
9 – Você sempre carrega um livro consigo.
10 – Um dos maiores prazeres da sua vida é o cheiro de livros velhos.
11 – Já deixou de estudar para uma prova ou atrasou a entrega de um relatório para o chefe porque estava terminando um livro.

livros
12 – Quando precisa escolher entre dois livros, se sente perdido.
13 – Quando perguntam quem você levaria para uma ilha deserta, a primeira coisa que vem a sua mente é o título de seu livro preferido.
14 – Faz malabarismos para conseguir descobrir o título do livro de alguém que está do seu lado.
15 – Se afunda em depressão depois que termina de ler um livro muito bom ou muito intenso.(A famosa ressaca literária!)
16 – Faz as refeições com o livro do lado.
17 – Você se revolta quando uma pessoa deixa um livro jogado por aí, pega nele com as mãos sujas, dobra a página, risca, etc.
18 – Já terminou uma amizade por conta de spoiler.
19 – Você definitivamente se apaixona pelos personagens lindos e sensuais dos livros que lê.

O presente post foi baseado na leitura dos links abaixo. Inclusive, recomendo:
http://vivianeblood.blogspot.com.br/2014/07/alguns-sinais-de-que-voce-e-viciado-em.html
http://www.oblogvoador.com.br/25-sinais-de-que-voce-e-viciado-em-livros/
http://garotad.blogspot.com.br/2009/06/voce-e-viciado-em-livros.html
http://youtu.be/08p71FQSX40

E aí, já admitiu o vício? haha